tenho andado por aqui

Casa de Sonhos _ XI

Sigo de olhos baixos de ver beleza em tudo. Nada de descaminhos, de abatimento, de tristeza. Tenho nos olhos o brilho de vislumbrar o quanto essa terra foi batida e com quantas pedras se faz uma estrada, um rumo, um abraço de sombras para ser ninho. Vejo meus pés cantando pegadas, uma flauta, leve de sonhos da casa. Junto das pedras vejo raízes que cantam sons de correnteza. Sinto água de paz de rio, de chuva, de lágrimas que brotam das pequenas esquisitices do tempo, tempero das estações. Sinto cores, provo pigmentos variados dos seres invisíveis do meu todo e tanto que ainda não consigo compreender.

 

Imensidão e a direção do que sou. Única, a mesma que me agrada, encanta e preenche de ar os meus pulmões. Do outro lado vejo sem ver um lugar tão meu nos braços que aguardam palavras recheadas de pesadelos como as minhas. Sei da casa que mora por lá. Sei das estrelas e suas pontas de cantos sobre um violão de aço que sorri palavras de barro do que molda-amolda poeira folhas de poesia no quintal.

 

Um ar de saudade venta em meus ouvidos, como uma voz me dizendo vamos? Estão nos esperando... – e eu sigo com novas cores naquele perfume de mato, de amor germinando meu peito, amansando. O barro toma forma e nos meus passos recria-se vida ao rastejar rastros como das cobras. Olhos e pés no chão. Só e com novos nomes de vocêu. Novas vestes, minhas. Uma só linguagem, transformação.

 

Línguas em ciclos alimentam o arrastar do sentir o sono no corpo. Espírito reencarna em assombros e cismas que renovam sonhos alívios. Ser. Alimento?  É terra, corpo, pão.

 

Segui o mapa das pedras. Elas contavam histórias de meninos que faziam xixi nas raízes das plantas, dos cafés do meio de tarde, dos poemas e das margaridas. Contavam do amor do verde, olhos de doce esperança.

 

A terra continuou a me cantar belezas de ser vocêu, ser macho ou fêmea desconhecida das preces e ais das mortes. Deixei de ter medo, lambi as rachaduras da terra. Colei-me no vão, cobri, preenchi meus porquês. Nasci você.

 

Arrastei-me por mais alguma eternidade do presente. Levantei. Azul pedia para se pôr e uma nova perspectiva. Anoitecer em um disco. Desta vez em outro ciclo. Voador.

Para Diovvani e Vanusa com todo o meu carinho

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