Tenho na
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- Aham!
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- Sai
A
Sonhos e Rosas
Desejava fazer correr dos dedos a letra pura que não maltrata os sentidos. Fazer dessa busca verdade de vida lhe dava força ainda que o labirinto que se escondia por dentro se encontrasse coberto de folhas secas dos descaminhos, desvios, desavisos. O mesmo antigo pensamento não a deixava escapar mostrando a medida certa de equilíbrio. Andou tanto e não achou nada diferente do próprio contorno do círculo. Umbigo? De querer ser tão grande queimou as etapas e mostrou o quanto ainda se vestia de vaidade. Sentiu as dores mas não desanimou. Fechou a porta olhou bem fundo e assistiu o brilho de uma pequenina estrela. Abriu janela e pediu ao céu, que depois da calma e enigmática noite, a harmonia das manhãs de domingo se fizesse presente. Tocaria a paz no instante exato em que conhcesse que pensar na vida é viver e remorso não pode cobrir suas noites. Velou uma estrela cadente ao ensaiar um pedido. Desejou fazer correr dos olhos todo o perdão que ainda não sabia se existia em algum lugar. Adormeceu. Teve sonhos que nunca poderia imaginar ou mesmo se lembrar. Mesmo assim saiu da casa descalça em direção ao parque. Crianças faziam cantar as rodas das bicicletas, as mães exibiam seus bebês ao sol, pessoas corriam procurando saúde, namorados procuravam olhares só deles. Sentou-se sob uma das árvores e contemplou a tudo isso. Uma senhora lhe entregou duas rosas sem dizer uma palavra. Não precisava. Colocou naquele verde todos os seus cansaços lembrando de todos que a ajudaram chegar até ali. Depois de algumas horas se levantou. Pegou uma das rosas e entregou para um senhor que estava passando. Ele sorriu, soprou e as pétalas voaram como pássaros. Leves e tranqüilos.
Sonho avarandado
Vento que vem do mar canta feito concha em meus ouvidos. Sento ali mais uma vez para ouvir. Quietinha. Gosto de sol e saudade, língua de sal. Inflo de ar meu corpo que suspira em um ai samba-bossa, nem velha, não nova. Nossa!
Roda, gira, vira o vento, levanto vejo ao longe seu olhar. Mar. Violão nos braços, dança dos dedos, canto, viro show da bêbada alegria, esperança. A cada pulso sou mais eu, a cada nota sou mais sua. Onda bate feito pulso forte das gotas suaves. Amor.
Acordei, sol de domingo fez meu sonho desvendar. O olhar dos meus segredos, no meu quarto a me acordar.
Maria Cláudia Mesquita
*Inspiração e frases roubadas: Flor de Maracujá (João Donato e Lyslas Enio)
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