Flor
Quando criança ouvira que o mundo acabaria com data e hora marcada, Será? O mar engoliria o todo para o fundo, Será tudo um pé sem fundo? A questão se fazia brilho e susto em seus olhos. Era uma vez um tempo que nascia para acabar. Bebeu o ar pela boca saiu na rua buscando as cores do sol, Amanheceria um sol de ponta cabeça? As questões eram rápidas na mente da criança, O sol tem ponta, tem fim de...? Nos cabelos a trança feita com os raios da flor, Mistério ou lenda? De fim do fim é o amor se refazendo que ninguém se preocupou em contar para a menina. Todo mundo sabia, não a menina, Manhã ou madrugada? A avó falava todo o tempo. A menina repetiu, Isso é o fim do mundo!
Crescera. O mundo ainda não chegara ao fim, nem a avó. O amor chegou na madrugada das poesias, renascimentos, palavras no muro... EU TE AMO, FLOR. Mesmo assim existia a mesma promessa, Vai mesmo acabar? Passava horas na janela lendo sentidos na frase, Ar ou mar? Lembrou as canções da vitrola da mãe e aquela da eternidade nunca entendida até então. Sentiu-se ridícula de se ver repetindo na mente o mesmo papinho mole da irmã e do namorado no sofá, Um dia isso vai passar? O rapaz passou... com a braçada de rosas na rua. Flor sorriu.
Ouvia o tempo agora em MP3. O mundo não chegara ao fim e a avó estava viva e lúcida. Bisa. O mundo estava entre eles por ali, Nos meninos? Estava ali depois de muito desejo de tocar o amor. A eternidade ainda não tivera fim, como os pés no chão, a natureza do que é certo, do que é todo. E tudo parece ainda tão errado, Isso é o começo do mundo!
Meu mês
Existe uma alegria especial na correria de dezembro. As ruas ficam mais bonitas, cheias de alegria e brilhos nos olhos. Crianças encantam as lâmpadas que alegram a noite. Nessa atmosfera, eu vou realizando pequenos sonhos como o de abraçar mais pessoas desejando bons sentimentos, pensar com carinho naqueles que amamos ao escrever um cartão ou uma pequena carta. Alguns nos emocionam de uma forma inesperada. Um telefone que toca surpreendendo a distância. Uma mensagem no celular ou e-mail nos preenche de esperanças. Sonhamos dias melhores, recheados de encontros ainda mais felizes.
Alguém me disse que essa correria cansa. Eu não concordei. Eu não me obrigo a nada. Gosto das confraternizações e de brincar de amigo secreto. Adoro presentear, escolho sentimentos e sentidos em cada passeio que faço no meu mês. Eu me emociono com os contos de Natal, com os filmes, com as histórias de família. Fico feliz com aquelas que eu escrevo com a minha.
Existe uma alegria especial na correria. Mesmo fazendo diversas coisas ao mesmo tempo eu consigo viver momentos muito especiais. Deve ser um canto de anjos ou um toque dos Céus acordando corações hoje para o presente do ano que vem.
Cegos
Partiu em busca daqueles olhos, Serenos? A visão sempre se abria sobre as questões de querer, poder, Noite, somos como a noite! Assim o texto se iniciava, estrelas derramadas, linguagem de um sentimento, A lua ainda não contou.
Respostas vinham com as luzes artificiais enquanto poemas e verdades cobriam a madrugada com novos versos. Calçadas se contentavam com pés batendo as letras do ritmo sem sentido, Seus olhos. A cidade os perdeu enquanto respiravam seus corpos, almas em sede saltos dos muros, saliva picha, Acho que te amo!
Alguns passos cantaram por mais alguns minutos. Ele exclamou uma última frase. Depois disso nunca mais ninguém os reconheceu.
Cartas e Amor
Teve um tempo em minha vida em que eu escrevia cartas para meus amigos. Eram cartas que enviava por e-mail ou que eu publicava em meu blog, mas que eram escritas com a mesma emoção das cartas com envelope e selo. Eu me sentia tão bem escrevendo para as pessoas que amo e não sei se me dava conta disso. Muitas vezes o distanciamento é que nos mostra essas coisas. Piegas? Lembrei Fernando Pessoa, Todas as cartas de amor são ridículas e fiquei mais tranqüila no meu ato de ser ridícula. Mas continuei a me perguntar, Depoimentos de amor são ridículos? Carinho é ridículo? Chamar o outro de meu amor, meu anjinho, benzinho, fofinho, minha flor é ridículo? Não acho, porém percebi que eu construí um certo medo de escrever das coisas que gosto e pessoas que amo. A escolha da palavra certa para atingir a originalidade muitas vezes me faz correr da simplicidade e perco com isso em emoção. Eu lembrei que escrevia com mais naturalidade no tempo das cartas.
Por isso mesmo, ontem, após conversa com um grupo de amigos, eu resolvi escrever uma carta para todos eles e a nomeei de sobre Varais, Lembranças, Estradas e Estrelas. Ela começa assim:
Tirei alguns instantes para respirar e o ar Amor levou-me a um lugar onde mãos e abraços constroem sentidos.
As palavras se lançaram sobre a tela como se eu não mais estivesse ali. Existia uma magia no meu respirar como se o ato de “inspirar e expirar” fosse simplesmente um sentimento... Amor. Lembrei do rosto de cada um dos meus amigos, de tudo que temos passado juntos, das dores e dificuldades, das conquistas e vitórias. Lembrei de pequenos ou grandes problemas de vida e do quanto estamos juntos. Juntos. É isso que deixa tudo mais bonito e simples.
Escrevi a carta e vou enviar para cada um deles neste mês. Dezembro é meu mês de renovar esperanças, de olhar Jesus Menino, de me encantar com pequenas coisas. Coisas que eu devia fazer com alegria todos os dias e sem medo de ser ridícula. Ou feliz?
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Meu Perfil
BRASIL, Mulher, mclaudiamesq@uol.com.br
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