Bilhete
Maria Cláudia Mesquita
Palavras me confundem. Sim. Elas me revelam e contam das coisas de mim, do meu futuro, das minhas saudades. Já não sei mais o bicho que sou, animal selvagem, descontrolado ou ser comedido.
Seus olhos me contam a direita face do meu sorriso. Apavoro-me. Queria sair de você, perder a conta das horas, roubando o oxigénio, desandando sentidos, desejos daquelas ondas do mar de Abril.
Colo olhares e letras da sua língua e me queixo do que se desfaz aqui dentro. Perderia o juízo. Juro. Se a coragem não corroesse minhas mãos no exato momento que suspiro instintos da fraqueza. Liberta, solta, sua. Até a noite, girar de estrelas e luas, de viver em você no fim de só (não) ser.
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