Sobre coelhos e espelhos
Tinha um gosto, por vezes doente, de prender os dedos em figa, em espera da sorte, em prece pelo futuro. Naquela tarde só foi diferente depois de lamber do cuspe da calçada. Doeu. Olhar marcado pela insônia, sem os carneirinhos dos sonhos dos desenhos, que corria as noites até contemplar o preguiçoso sol que custava a nascer. As palavras tremiam em sua mente, evitava parar para pensar muito. Os medos abraçavam seus cabelos, mordiam seu pescoço, trovão nos seus ouvidos de tantos nãos. Não era. Queria ser. O mundo não via seu querer. Só e ponto.
A figa, até então, era a força que o mundo podia ver. Jogou fora o seu vício. Nunca mais o usaria. Largou também as lentes da saudade de ter saudade, da esperança de futuro, de fé ou de qualquer crença. Chegou bem perto de esquecer de si mesma. Achou seu espelho, olhou bem no fundo. Seu nome não era Alice, não era tão tarde. Parecia mais a Mônica da revistinha. Catou seu coelho, cresceu no tempo e bateu em cada um de seus fantasmas.
Re-Partida
Uma palavra em uma nuvem. Ar que se confunde. Ventania ou asas de amor.
Que parte.
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