Meditação

Maria Cláudia Mesquita

 

Era desejo de tocar um sentimento. Caminhava as pontas dos dedos na terra formando desenhos, movimento de mãos, carinhos. Da terra. As unhas teimavam em tingir o gesto que durou alguns minutos, Mãe, o que você está fazendo? Ela sorriu e voltou do transe e antes de responder, Quer brincar? A mãe tomou coragem e respondeu sorrindo, Anjo meu, quer brincar do que? Bonecas? Mais uma vez sorriu e correu os dedos marcados na mão da criança.  Eu queria brincar daquilo que você estava brincado. Surpresa a mãe pegou as mãos da menina, quase uma mocinha, e estampou as marcas na terra do vaso. Agora mexa os dedos, querida, e me diz o que sente. A menina ficou sentindo a terra. Fez cara séria enquanto futucava o vaso. Olhava o tempo, a ventania na varanda e fazia ainda mais força com as mãos. A mãe se distraiu com aquela imagem e seus sentimentos emolduravam aquele momento. 

A terra foi tomando conta do chão da varanda e as duas ficavam cada vez mais sujas com a séria brincadeira. Depois de algum tempo a menina coloriu um beijo no rosto da mãe, Agora eu quero brincar de novo do que você está brincando. Falou baixinho no ouvido da filha, Do que estou brincando, meu amor? A menina respondeu sussurrando, Como que eu faço para pensar o que você está pensando? A mulher não aguentou e soltou uma gargalhada. A menina gargalhou também. Tirou o ténis da menina, já estava descalça. Começou a dançar sobre a terra espalhada na varanda. Falou para a filha, Eu só estava sonhando que estava dançando na terra do jardim do meu pensamento. Lá existe uma canção e uma flor.

Dançaram escorregando na bagunça. O sol foi dormir. A menina também. A mulher sentou na varanda e desenhou novamente na terra. O sentimento ainda estava lá. Ela plantou firme seus pensamentos enquanto o cigarro queimava na outra mão. A fumaça lançava desenhos ao céu do seu tanto pensar, pensar, pensar.  A insónia cantou o nome do amor. Sobrenome tocou no tom da saudade.

sobre Verdes, Águas e Tons

carregue a dor pra longe
me abrace e me leve pela última vez
até as turvas águas do passado

quando por lá estivermos
lave e regue a cor escura
mais pura do medo
até que estoure feito luzes nos cristais
ao diluir toda a minha aflição

beije meu pranto
estação qualquer
desde que seja do amor
janela do abrigo da paz
doce sentido
presença sua todo tempo
até sempre mais


Dedicado ao Verde de AdéliaTheresaCampos aqui

Sobre coelhos e espelhos

 

Tinha um gosto, por vezes doente, de prender os dedos em figa, em espera da sorte, em prece pelo futuro. Naquela tarde só foi diferente depois de lamber do cuspe da calçada. Doeu. Olhar marcado pela insônia, sem os carneirinhos dos sonhos dos desenhos, que corria as noites até contemplar o preguiçoso sol que custava a nascer. As palavras tremiam em sua mente, evitava parar para pensar muito. Os medos abraçavam seus cabelos, mordiam seu pescoço, trovão nos seus ouvidos de tantos nãos. Não era. Queria ser. O mundo não via seu querer. Só e ponto.

 

A figa, até então, era a força que o mundo podia ver. Jogou fora o seu vício. Nunca mais o usaria. Largou também as lentes da saudade de ter saudade, da esperança de futuro, de fé ou de qualquer crença. Chegou bem perto de esquecer de si mesma. Achou seu espelho, olhou bem no fundo. Seu nome não era Alice, não era tão tarde. Parecia mais a Mônica da revistinha. Catou seu coelho, cresceu no tempo e bateu em cada um de seus fantasmas.

Re-Partida




Uma palavra em uma nuvem. Ar que se confunde. Ventania ou asas de amor.
Que parte.




Bilhete

Maria Cláudia Mesquita

Palavras me confundem. Sim. Elas me revelam e contam das coisas de mim, do meu futuro, das minhas saudades. Já não sei mais o bicho que sou, animal selvagem, descontrolado ou ser comedido.

Seus olhos me contam a direita face do meu sorriso. Apavoro-me. Queria sair de você, perder a conta das horas, roubando o oxigénio, desandando sentidos, desejos daquelas ondas do mar de Abril.

Colo olhares e letras da sua língua e me queixo do que se desfaz aqui dentro. Perderia o juízo. Juro. Se a coragem não corroesse minhas mãos no exato momento que suspiro instintos da fraqueza. Liberta, solta, sua. Até a noite, girar de estrelas e luas, de viver em você no fim de só (não) ser.

O Viajante

Maria Cláudia Mesquita

Ficou por ali olhando para os lados na tentativa de compreender se o amor fica estacionado por alguns instantes em alguma estação. Queria achar a passagem para esse trem. Fixou-se na bagagem revistando mentalmente tudo o que estava por dentro, o que estava esquecendo, o que deixou por escolha, Escova de dentes, pente, jeans, camisas, aspirina... Raiva, pesadelos, saudade, abraços, amigos... Escondeu algumas dores, enterrou outras ali mesmo na plataforma, olhou o céu da noite e sorriu para a solidão das estrelas, gestos de quem deseja ser feliz.  Tomou as malas nas mãos e o violão nas costas e entrou no trem, Será esse o trem do amor? Tantas questões naquele ato de coragem batiam feito tempestade em sua mente, Que bicho está voando aqui dentro? Quais as cores do meu destino? Por que o riso embolado ao choro?  Na cabeça as batidas da água e vento o faziam nascer com a dor de quem nasce para o bicho da liberdade.

Admirou suas mãos espantado enquanto o trem começava a se mover. Leu as linhas do seu futuro adormecendo em sonhos que ainda não conhecia. Viu-se morto, em um jardim com flores enraizadas em seus dedos. Estava ao lado de um anjo e de alguns animais em um dia amanhecido de cores de nunca vistas. Imóvel diante da natureza, era parte de uma paisagem que vibra os ares calmos. Acordou assustado, suado, com respiração descompassada. O trem ainda se movia, a noite da solidão ainda o acompanhava. Apertou as mãos esfregando e agarrando as preces que não podia mais fazer, Meu Pai, por onde andas?  Fechou os olhos abrindo novas orações lembrando o anjo que velava seu corpo intacto fazendo conjunto com a paisagem.

O trem chegou no seu destino. Já era insônia ou era dia, era somente um texto ou agonia. Os cabelos agora longos, da bagagem só carregou a canção, dos pés descalços o caminho colado aos dedos de flor e poesia.

Mais uma vez o Jardim...

As flores guardam a serenidade, não o silêncio. Na delicadeza sopram palavras aos olhares puros e entusiasmados. O amor se abre de forma doce e leve como as flores. A cada dia, a cada semana, mês ou ano o jardim se renova. O verdadeiro amor nos leva ao jardim da renovação onde a liberdade é a brisa e beijo. Sempre.

Hoje sim

 

 

Olha, é como o verão

quente o coração

salta de repente para ver

a menina que vem.

 

Samba de Verão

Marcos Valle e Paulo Sergio Valle

 

Nunca vi coisa assim. Olhos de salgar e correr a pele de sonhar. Ele passa, eu digo não,  digo sim. Eu passo, não digo, quero dizer, suspiro o solfejo. Alegria, agonia do coração pular. Sinfonia. Solo? Peito livre de cantar em cansar pra descansar. Ele me olha, eu esqueço, mãos pedem meus carinhos, esfrego palmas, revejo. Sonho preciso, amor nem tão antigo. Na paixão me entrego. Violão, eu te amo! Me atiro! Peito sempre aberto. Amor de verão em qualquer estação meu canto vem samba e verso.

Flor

 

Quando criança ouvira que o mundo acabaria com data e hora marcada, Será? O mar engoliria o todo para o fundo, Será tudo um sem fundo? A questão se fazia brilho e susto em seus olhos. Era uma vez um tempo que nascia para acabar. Bebeu o ar pela boca saiu na rua buscando as cores do sol, Amanheceria um sol de ponta cabeça? As questões eram rápidas na mente da criança, O sol tem ponta, tem fim de...? Nos cabelos a trança feita com os raios da flor, Mistério ou lenda?  De fim do fim é o amor se refazendo que ninguém se preocupou em contar para a menina. Todo mundo sabia, não a menina, Manhã ou madrugada? A avó falava todo o tempo. A menina repetiu, Isso é o fim do mundo!

 

Crescera. O mundo ainda não chegara ao fim, nem a avó. O amor chegou na madrugada das poesias, renascimentos, palavras no muro... EU TE AMO, FLOR. Mesmo assim existia a mesma promessa, Vai mesmo acabar?  Passava horas na janela lendo sentidos na frase, Ar ou mar? Lembrou as canções da vitrola da mãe e aquela da eternidade nunca entendida até então. Sentiu-se ridícula de se ver repetindo na mente o mesmo papinho mole da irmã e do namorado no sofá, Um dia isso vai passar? O rapaz passou... com a braçada de rosas na rua. Flor sorriu.

 

Ouvia o tempo agora em MP3. O mundo não chegara ao fim e a avó estava viva e lúcida. Bisa. O mundo estava entre eles por ali, Nos meninos? Estava ali depois de muito desejo de tocar o amor. A eternidade ainda não tivera fim, como os pés no chão, a natureza do que é certo, do que é todo. E tudo parece ainda tão errado, Isso é o começo do mundo!

 

Meu mês

 

Existe uma alegria especial na correria de dezembro. As ruas ficam mais bonitas, cheias de alegria e brilhos nos olhos. Crianças encantam as lâmpadas que alegram a noite. Nessa atmosfera, eu vou realizando pequenos sonhos como o de abraçar mais pessoas desejando bons sentimentos, pensar com carinho naqueles que amamos ao escrever um cartão ou uma pequena carta. Alguns nos emocionam de uma forma inesperada. Um telefone que toca surpreendendo a distância. Uma mensagem no celular ou e-mail nos preenche de esperanças. Sonhamos dias melhores, recheados de encontros ainda mais felizes.

 

Alguém me disse que essa correria cansa. Eu não concordei. Eu não me obrigo a nada. Gosto das confraternizações e de brincar de amigo secreto. Adoro presentear, escolho sentimentos e sentidos em cada passeio que faço no meu mês. Eu me emociono com os contos de Natal, com os filmes, com as histórias de família. Fico feliz com aquelas que eu escrevo com a minha.

 

Existe uma alegria especial na correria. Mesmo fazendo diversas coisas ao mesmo tempo eu consigo viver momentos muito especiais. Deve ser um canto de anjos ou um toque dos Céus acordando corações hoje para o presente do ano que vem.

Cegos

 

Partiu em busca daqueles olhos, Serenos? A visão sempre se abria sobre as questões de querer, poder, Noite, somos como a noite! Assim o texto se iniciava, estrelas derramadas, linguagem de um sentimento, A lua ainda não contou.

 

Respostas vinham com as luzes artificiais enquanto poemas e verdades cobriam a madrugada com novos versos. Calçadas se contentavam com pés batendo as letras do ritmo sem sentido, Seus olhos. A cidade os perdeu enquanto respiravam seus corpos, almas em sede saltos dos muros, saliva picha, Acho que te amo!

 

Alguns passos cantaram por mais alguns minutos. Ele exclamou uma última frase. Depois disso nunca mais ninguém os reconheceu.

Cartas e Amor

 

Teve um tempo em minha vida em que eu escrevia cartas para meus amigos. Eram cartas que enviava por e-mail ou que eu publicava em meu blog, mas que eram escritas com a mesma emoção das cartas com envelope e selo. Eu me sentia tão bem escrevendo para as pessoas que amo e não sei se me dava conta disso. Muitas vezes o distanciamento é que nos mostra essas coisas. Piegas? Lembrei Fernando Pessoa, Todas as cartas de amor são ridículas e fiquei mais tranqüila no meu ato de ser ridícula. Mas continuei a me perguntar, Depoimentos de amor são ridículos? Carinho é ridículo? Chamar o outro de meu amor, meu anjinho, benzinho, fofinho, minha flor é ridículo? Não acho, porém percebi que eu construí um certo medo de escrever das coisas que gosto e pessoas que amo. A escolha da palavra certa para atingir a originalidade muitas vezes me faz correr da simplicidade e perco com isso em emoção. Eu lembrei que escrevia com mais naturalidade no tempo das cartas.

 

Por isso mesmo, ontem, após conversa com um grupo de amigos, eu resolvi escrever uma carta para todos eles e a nomeei de sobre Varais, Lembranças, Estradas e Estrelas. Ela começa assim:

 

Tirei alguns instantes para respirar e o ar Amor levou-me a um lugar onde mãos e abraços constroem sentidos.

 

As palavras se lançaram sobre a tela como se eu não mais estivesse ali. Existia uma magia no meu respirar como se o ato de “inspirar e expirar” fosse simplesmente um sentimento... Amor. Lembrei do rosto de cada um dos meus amigos, de tudo que temos passado juntos, das dores e dificuldades, das conquistas e vitórias. Lembrei de pequenos ou grandes problemas de vida e do quanto estamos juntos. Juntos. É isso que deixa tudo mais bonito e simples.

 

Escrevi a carta e vou enviar para cada um deles neste mês. Dezembro é meu mês de renovar esperanças, de olhar Jesus Menino, de me encantar com pequenas coisas. Coisas que eu devia fazer com alegria todos os dias e sem medo de ser ridícula. Ou feliz?

sobre Textos, Inspirações, Personagens e Saudades

 

Tenho na imaginação um par de alianças que não me servem para nada além dos devaneios que gostaria de construir e não consigo. Queria dar a elas algo útil e anticlichê, se é que se pode dizer assim. Tudo começou quando eu estava na casa de espelhos e comecei a ouvir a conversa das manicuras:

 

- Fulana, sabe aquela aliança que meu filho encontrou na praça perto da faculdade?

- Aham!

- Ontem, quando eu estava indo pra casa eu encontrei o par. A mesma data!

- Nossa Senhora, Beltrana! Como assim?

- Alianças iguais. O meu filho achou uma e eu outra. São iguais. Acho que de ouro branco, ou prata, um desenho bonito, você precisa ver, trabalhada! Você acha que isso quer dizer alguma coisa?

- Eu acho! Pra você aceitar aquele pedido do Antônio!

- Sai fora! – e riu de encheu o salão.

 

Eu fiquei pensativa. Queria ver, queria crer. Mentira, podia ser isso. Joguei opinião na conversa. Meti a colher? Disse que devia ser maldição e gargalhei, feito bruxa. Depois inventei uma lenda em que um bandido da região fazia seqüestros relâmpagos e cortava os dedos daqueles que não sabiam a senha do cartão do banco. Depois assassinava as vítimas na frente da igreja da Nossa Senhora do Bom Conselho e largava os corpos na porta do cemitério da Quarta Parada. Ele guardava os dedos em uma geladeira de isopor de uma casa abandonada, nos cafundós dos depósitos antigos da Mooca. Antes disso jogava as alianças fora, no meio do caminho.

 

A moça ria dizendo estar com medo. O rapaz que escovava meus cabelos gostou da idéia. Eu estava achando tudo ridículo, mas me diverti com a conversa boba. Saí do salão ainda cedo, fui para o trabalho e fiquei com as alianças na cabeça. Dias, idéias. O conto não veio até hoje, não consegui desmentir o fato nem as lendas de amor-desamor sem fim. Na verdade ainda vejo moças casando de branco, meninas vestidas de fadas entrando na frente da noiva carregando uma cestinha de alianças, When you wish upon a starFelizes para sempre?

 

Lugar comum, pensamentos meus. Imagens de anjos loirinhos com olhinhos claros, sem sexo para abençoarem meus desejos. Loucos? Não sei. Sei da saudade que Ana tem da busca dos textos. E que o amor é tonto, acho que vou dar as alianças nas mãos do Pedro junto com a canção, na porta da casa dos sonhos...

 

Quando um coração que está cansado de sofrer...

Sonhos e Rosas

Sonhos e Rosas

 

Desejava fazer correr dos dedos a letra pura que não maltrata os sentidos. Fazer dessa busca verdade de vida lhe dava força ainda que o labirinto que se escondia por dentro se encontrasse coberto de folhas secas dos descaminhos, desvios, desavisos. O mesmo antigo pensamento não a deixava escapar mostrando a medida certa de equilíbrio. Andou tanto e não achou nada diferente do próprio contorno do círculo. Umbigo? De querer ser tão grande queimou as etapas e mostrou o quanto ainda se vestia de vaidade. Sentiu as dores mas não desanimou. Fechou a porta olhou bem fundo e assistiu o brilho de uma pequenina estrela. Abriu  janela e pediu ao céu, que depois da calma e enigmática noite, a harmonia das manhãs de domingo se fizesse presente. Tocaria a paz no instante exato em que conhcesse que pensar na vida é viver e remorso não pode cobrir suas noites. Velou uma estrela cadente ao ensaiar um pedido. Desejou fazer correr dos olhos todo o perdão que ainda não sabia se existia em algum lugar. Adormeceu. Teve sonhos que nunca poderia imaginar ou mesmo se lembrar. Mesmo assim saiu da casa descalça em direção ao parque. Crianças faziam cantar as rodas das bicicletas, as mães exibiam seus bebês ao sol, pessoas corriam procurando saúde, namorados procuravam olhares só deles. Sentou-se sob uma das árvores e contemplou a tudo isso. Uma senhora lhe entregou duas rosas sem dizer uma palavra. Não precisava. Colocou naquele verde todos os seus cansaços lembrando de todos que a ajudaram chegar até ali. Depois de algumas horas se levantou. Pegou uma das rosas e entregou para um senhor que estava passando. Ele sorriu, soprou e as pétalas voaram como pássaros. Leves e tranqüilos.

coluna LENÇOL DE MARGARIDAS

Sonho avarandado

 

Vento que vem do mar canta feito concha em meus ouvidos. Sento ali mais uma vez para ouvir. Quietinha. Gosto de sol e saudade, língua de sal. Inflo de ar meu corpo que suspira em um ai samba-bossa, nem velha, não nova. Nossa!

 

Roda, gira, vira o vento, levanto vejo ao longe seu olhar. Mar. Violão nos braços, dança dos dedos, canto, viro show da bêbada alegria, esperança. A cada pulso sou mais eu, a cada nota sou mais sua. Onda bate feito pulso forte das gotas suaves. Amor.

 

Acordei, sol de domingo fez meu sonho desvendar. O olhar dos meus segredos, no meu quarto a me acordar.

 

Maria Cláudia Mesquita

 

 

*Inspiração e frases roubadas: Flor de Maracujá (João Donato e Lyslas Enio)

 

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